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Blog de Carlos Silvano, do Estudogratis e Colunistas.

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Vou fazer a clássica introdução, dizendo que “estamos trabalhando em empresas cada vez mais dinâmicas e que cada vez mais , estamos ajustando nossas rotinas para atendimento de múltiplos projetos”.

Até este ponto nada de novidade, mas isto acaba despertando uma característica comportamental nas pessoas e que possui grande impacto sobre a segurança das informações e sobre o patrimônio da empresa.

Vamos remeter esta dissertação para o Antigo Egito, bastante em moda nestes tempos de News Age e analisar o comportamento dos Faraós. Eles montavam seu império ou o herdavam de seus pais, mas impreterivelmente acabavam deparando, em um dado momento, com a temporariedade das coisas e que iriam morrer.

Assim, como mandava os costumes, tinham, que preparar as coisas que seriam usadas na “próxima vida”. Iniciavam a construção de sua pirâmide para abrigar seus pertences e fortuna. Começavam a guardar o ouro, depois iam guardando outros objetos, e assim por diante. Como existia uma grande incerteza sobre o que eles iriam encontrar “do outro lado” acabavam guardando comida, mas também faltaria as pessoas para prepará-la e assim guardavam estátuas de escravos e em alguns casos os próprios escravos, parentes e esposas acabavam sendo “guardados vivos” dentro da pirâmide para acompanhar o faraó na sua próxima vida.

Bem, neste ponto apareciam as incertezas deste lado da vida, pois poderiam aparecer os saqueadores para roubar seus tesouros guardados. Desta maneira, ou se matava os construtores, ou lhes cortavam a língua para garantir a Segurança das Informações. Armadilhas e outros truques que só os filmes do Indiana Jones podem conceber eram preparados para os ataque de invasão.

Toda esta história serve para ambientar um traço de nosso comportamento mediante o medo e a incerteza e serve também para enfatizar os exageros que cometemos mediante estas condições adversas, mas naturais de nossa vida.

Agora, voltando para nossos tempos, encontramos no lugar dos impérios, as grandes empresas, no lugar de Faraós, encontramos executivos e sucessivamente, diretores de departamento, gerentes de projeto e operadores, todos “Faraós de seus legados e impérios”. Para aqueles que neste ponto, negarem a veracidade deste paralelo, apresento um argumento inegável.

Como você chama o computador que você usa em sua empresa ?

Com honestidade vai dizer “MEU computador…” “MEU Micro…” definindo claramente uma fronteira de seu império como Faraó de SEUS negócios e não os de SUA empresa.

O Complexo de Faraó

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Agora vamos fazer mais um paralelo. Seu projeto na empresa, seu departamento,e mesmo sua empresa estão constantemente sujeitos ao término, a mudanças de estrutura e a fusões. Desta forma, você toma contato com a temporariedade das coisas e descobre que pode “Morrer Profissionalmente”.

Não vamos generalizar, mas com certeza muitos mediante esta consciência desenvolvem o “Complexo de Faraó” e assim começam a arquivar informações que poderão ser úteis na próxima vida profissional.

No inicio, se junta o “Ouro” de nossos projetos e departamentos, mas a cada volume de informações agrupada e guardada em nosso “palácio”, que no caso inicial é o computador que usamos na empresa ou nossas gavetas, tomamos contato com outras informações e materiais que julgamos importantes, sejam de nosso próprio trabalho, seja de outros colaboradores.

Assim, o volume se torna cada vez maior até que “lembra-se” que o micro ou gaveta não é nosso e assim, tem-se que transferir tudo para o local onde faremos a transição entre as vidas, ou seja para o nosso computador pessoal em nossas casas ou nossa “pirâmides”.

Neste ponto tenho que lançar um desafio para todos: Quem nunca viu ou mesmo tomou atitudes como estas, em maior ou menor grau de profundidade? Principalmente no final de grandes projetos, na ocorrência de fusões entre empresas e assim por diante…

Os Saqueadores

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O próximo paralelo que podemos traçar são os saqueadores. Já dizia um amigo meu que é policial “ladrão é folgado, pois se quisesse ter trabalho não iria roubar…”.
Deve-se ter em mente que ao se atingir uma condição adversa também estamos chamando a atenção dos saqueadores.

Assim o melhor lugar para encontrar informações já prontinhas e agrupadas são os locais onde temos estas condições adversas, principalmente se já se sabe de antemão que existem pessoas insatisfeitas ou temerosas que iniciaram a construção de suas pirâmides.

Desta maneira, toda as estruturas de informações das empresas ficam expostas no meio do “Deserto” e em maior ou menor grau, disponíveis para os saqueadores.

Com certeza, os Faraós modernos se protegem dos saqueadores, com passwords, IDS´s, Firewalls assim como os seus antecessores se protegiam, mas sempre existem falhas, que são muito bem exploradas, sobretudo com o fator tempo.

A vida após a Morte

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Bem, depois de fundamentarmos todos estes argumentos e depararmos com esta característica tão forte da personalidade humana, chegamos a conclusão que o patrimônio de informação das empresas esta constantemente ameaçado por este fator, pois não podemos evitar as condições adversas, assim como não podemos evitar a morte.

Vamos voltar ao nosso paralelo a fim de buscarmos uma solução para esta condição.

Os Faraós descobriram (espero), ou pelo menos nós que chegamos depois deles podemos observar, que não dava para levar as coisas materiais para a outra vida.

Fazendo isto existe mais um agravante, pois além de facilitar para os saqueadores, deixa-se um legado vazio para os sucessores.

A raiz desta questão esta na fonte geradora da ação o que não é nenhuma novidade até que se aperceba dela.

Como gestores de projeto, como gerentes, diretores e todas as demais funções que remetem a liderança de uma equipe temos que estar atentos para esta condição.

Não podemos isolar nossos colaboradores da consciência da temporariedade e uma maneira clara de fazer isto é manter aquele ímpeto inicial que todo projeto tem, mesmo que este esteja chegando ao fim, e antes mesmo que se chegue ao fim de um projeto, os gestores estejam mostrando o caminho para uma nova empreitada, preferencialmente desafiadora, mas sólida e calcada na realidade e em fatos tangíveis. Promessas sem embasamento só agravam as condições, gerando mais incerteza, mais medo e mais ambiente para que os “Faraós” ergam suas pirâmides.

Uma característica forte da personalidade humana que manifestamos quando iniciamos algum projeto ou trabalho é tentamos fazer melhor do que fizemos anteriormente.

Assim, como os faraós, descobrimos que o que acumulamos em um projeto anterior pode ajudar muito no próximo, mas apenas aquilo que realmente aprendemos e guardamos em nossas mentes e não o que acumulamos em nossos HD´s e pastas. Há um ditado que vem ao encontro desta linha de pensamento: “Ninguém pisa no mesmo Rio duas vezes” (frase atribuída a Buda ou a Heráclito de Éfeso).

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Mantendo nossa equipe de trabalho e a nós mesmos com esta mentalidade, podemos evitar o Complexo de Faraó e assim preservar os ativos de informação da empresa, ao contrário de colaborar com os “saqueadores”, o que somente agravará as crises.

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